PESQUISAS
POLÍTICAS EDUCACIONAIS PÓS-PANDEMIA: A HEGEMONIA DA SUBSTITUIÇÃO TECNOLÓGICA
Período: 2024-2027
Desde a segunda metade da década de 1990, as políticas educacionais têm sido sistematicamente referidas às tecnologias. Este fato, entretanto, não significa que haja consenso em relação à sua incorporação educacional. Tem sido muito diverso o lugar a elas atribuído, variando, no limite, entre: (1) a produção de alternativas de apropriação que as inscrevam no trabalho docente, no sentido de agregar novas possibilidades às práticas desenvolvidas; e (2) a promoção de diversas formas de substituição tecnológica, apontando para a expropriação do trabalho docente, na medida do deslocamento do professor para a posição de quem deve se ater a tarefas periféricas, como o controle do tempo na execução das atividades pré-determinadas. Na pandemia, com as escolas fechadas, proliferaram estratégias de substituição em torno do chamado “ensino remoto emergencial”, apontando para formas de “ensino híbrido” e sugerindo a precariedade das escolas como obstáculo contornável pela intervenção das grandes plataformas (GAFAM: Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft). Assim, este projeto é constituído pelos desdobramentos atuais da questão, com base na análise crítica destes discursos, em seus diferentes aspectos: semânticos, sintáticos e pragmáticos.
RJ: DO GEC AO GET: TECNOLOGIAS NO DISCURSO DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS
Período: 2023- 2026
Financiamento: APQ1 FAPERJ
No caso da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, dois movimentos são aqui analisados, visando à aproximação e ao distanciamento entre os Programas: (a) GEC (Ginásio Experimental Carioca), instituído pelo Decreto nº 32.672, de 18 de agosto de 2010, e revogado Decreto nº 38.954, de 2014; e (b) GET (Ginásio Experimental Tecnológico), através do Decreto Rio Nº 50434, de 23 de março de 2022. Particularmente em se tratando dos Programas GEC e GET, o objetivo é dimensionar as especificações técnicas contidas no decreto de criação do primeiro, com destaque para a figura do “professor polivalente” e para o uso intensivo da Educopédia, tendo em vista os “silêncios” na instituição do segundo. A questão de fundo é a semelhança e a diferença entre os Programas que, de algum modo, remetem à ideia de “escola do futuro”, como é possível observar nas propagandas veiculadas. Em outras palavras, a concepção do professor polivalente foi extinta com o GEC ou pode ser apresentada com nova roupagem?
DIMENSÕES DA PLATAFORMIZAÇÃO DO ENSINO BÁSICO
Período: 2021-2024
Partindo da mercantilização da educação como hipótese de trabalho, o presente projeto apresenta uma síntese histórica das relações entre tecnologias e educação nas últimas décadas, de modo a permitir a análise das características definidoras do momento atual e das alternativas para lidar com elas. Focaliza os discursos das plataformas e dos aplicativos, bem como os discursos sobre ambos, no conjunto das políticas educacionais e pelos professores em exercício e em processo de formação. A pretensão maior é favorecer a leitura crítica das relações entre tecnologias e educação, pelos diferentes sujeitos envolvidos. Tem como centro o trabalho docente, em constante processo de esvaziamento, nas suas dimensões macro e micro: da economia política à didático-pedagógica e vice-versa.
DIMENSÕES DA SUBSTITUIÇÃO TECNOLÓGICA NAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS: O CASO DA SECRETARIA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
O presente projeto visa a um duplo objetivo: (1) submeter à prova prática o valor explicativo da noção de substituição tecnológica, formulada para o encaminhamento das questões relativas ao modo ora hegemônico de incorporação das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) nas políticas educacionais; e (2) dimensionar o deslocamento do professor como aquele que desempenha tarefas associadas à docência, em contexto específico no eixo tempo-espaço, considerando as relações que o definem e as condições da sua produção. Elege, como modo de aproximação do seu objeto, a análise crítica de discurso das formulações da Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro, a partir de 2009, não por supor que elas sejam necessariamente diferentes de outras, mas por integrarem diversas dimensões e estratégias da substituição tecnológica como parte, e meio, de consolidação do deslocamento em tela. Como corpus de análise, assume os documentos oficiais referentes à reestruturação das condições de produção do Ensino Fundamental na Rede, envolvendo questões relacionadas à avaliação dos produtos e ao redirecionamento dos processos para este fim. Em síntese, ainda que o seu foco seja o modo de incorporação educacional das TIC, o projeto abrange o conjunto das relações definidoras da trajetória de descentramento dos sujeitos para o consequente centramento dos “objetos de aprendizagem”.
POLÍTICAS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES: A HEGEMONIA DA SUBSTITUIÇÃO TECNOLÓGICA
Período: 2013 – 2016
Financiamentos: Bolsa de Produtividade em Pesquisa (CNPq).
Este projeto parte da análise da recontextualização das tecnologias da informação e da comunicação (TIC), empreendida nas pesquisas anteriores, a partir da hipótese de trabalho de que as políticas de formação de professores têm remetido a diversas estratégias de substituição tecnológica. Em outras palavras, considera que, neste contexto, as TIC não têm o sentido de agregar valor às práticas desenvolvidas, mas são recontextualizadas como meio de favorecer o esvaziamento do trabalho docente, através de vários deslocamentos do professor para a posição de quem simplesmente executa tarefas predefinidas. No conjunto das estratégias assumidas, objetiva a política de disponibilização dos bancos de “objetos de aprendizagem” na condição de fórmula independente das condições objetivas dos mais variados contextos, como aulas prontas e reutilizáveis, podendo ser acessadas com base em temática e nível de ensino, no enredo do deslocamento dos sujeitos para os objetos.
Empreende a análise crítica de discurso (ACD) das políticas de formação de professores, em nível macro, de modo a dimensionar o sentido hegemônico em questão. Por outro lado, considerando que as vozes dos professores têm estado ausentes nas formulações políticas objetivadas, analisa também os discursos dos professores acerca do lugar contraditório a eles atribuído, tendo como horizonte as condições de possibilidade da construção coletiva de sentidos contra-hegemônicos para as TIC no processo de ensinar-aprender.
A RECONTEXTUALIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NAS POLÍTICAS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM CURSO NO BRASIL
Período: 2009 – 2015
Financiamentos: Auxílio Edital Universal CNPq, Bolsa de Produtividade em Pesquisa (CNPq), Participação em Eventos Científicos no Exterior (AVG-CNPq), Programa de Apoio a Eventos no Exterior (PAEX – CAPES), APQ1 (FAPERJ, 2012) e Prociência (2002).
O presente projeto parte da consideração de que, nos últimos três anos, as políticas de formação de professores têm assumido formas de institucionalização cada vez mais abrangentes e concretas, compreendendo: (1) a instituição do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB); (2) a sua localização na redimensionada Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); (3) o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos Anísio Teixeira (INEP) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) como espaços de acompanhamento, avaliação e financiamento de projetos, programas e ações direcionados à UAB-Capes; (4) a proliferação, em vários níveis, de projetos centrados na distribuição de artefatos tecnológicos (laptops e desktops) para elevar a qualidade da educação pública; e (5) a configuração da Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica.
Neste novo contexto, o discurso das políticas não pode ser visto apenas como declaração de intenções. Configura estratégia de gerenciamento do conjunto de circunstâncias da sua aplicação, através de Leis, Decretos e Portarias que, por sua vez, têm em comum a aposta nas tecnologias de informação e comunicação (TIC).
Com base análise crítica do discurso, formulada por Norman Fairclough, este projeto assume que a recontextualização é um processo de apropriação cujas características e resultados dependem das circunstâncias concretas dos diversos contextos. Assim, se por um lado supõe que sua complexidade escape às tentativas de controle, por outro, parte do princípio de que a articulação de esforços neste sentido deve ser objetivada. Portanto, visa a: (1) discutir as relações entre a configuração UAB-Capes e a formação de professores como um todo; (2) caracterizar continuidades e rupturas das políticas atuais de formação de professores em relação às anteriores; e (3) analisar os modos de recontextualização das TIC no conjunto das políticas em curso.
TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO: SENTIDO HEGEMÔNICO E CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO
Período: 2007 – 2012
Financiamentos: Bolsa de Produtividade CNPq; Auxílio Editoração (FAPERJ); Auxílio Pesquisa Edital Ciências Sociais 2007 CNPq; Bolsas CNPq: IC e Mestrado; Bolsas FAPERJ: Doutorado; Bolsa Prociência FAPERJ/UERJ; Auxílio FAPERJ APQ1 2009.
O projeto investiga os modos pelos quais as tecnologias da informação e da comunicação (TIC) têm sido incorporadas ao discurso pedagógico, compreendido como as práticas de linguagem desenvolvidas nas situações concretas de ensino, bem como as que constituem reflexões sobre estas mesmas situações. Visa aos sentidos de que as TIC são investidas em diferentes contextos, focalizando os sentidos hegemônicos e as condições da sua produção. Fundado na Análise Crítica de Discurso, nos termos em que formulada por Norman Fairclough, é desenvolvido em duas frentes. A primeira delas, de cunho macro-político, empreende a análise dos discursos das políticas educacionais, destacando a racionalidade que tem sustentado a redução das TIC a estratégias de substituição tecnológica, como em propostas de Educação a Distância. A segunda frente, centrada na materialidade discursiva, analisa as práticas de linguagem que sustentam os vários modos de incorporação educacional das TIC, nas suas relações com o redimensionamento de ensinar-aprender. As relações entre as frentes são representadas pelos seguintes objetivos:
(a) sintetizar as relações definidoras das múltiplas dimensões da incorporação educacional das TIC, a partir das condições da sua produção;
(b) analisar a articulação dos discursos das políticas propriamente ditas aos da sua justificação;
(c) sistematizar elementos para a crítica às formas materiais da ideologia, na produção, circulação e legitimação do sentido atribuído às TIC;
(d) apontar para condições de incorporação educacional das TIC que rompam com o sentido hegemônico.
A LEITURA NO APERFEIÇOAMENTO DO ENSINO: UMA PROPOSTA DE PESQUISA PARTICIPANTE
Período: 2007 – 2009
Financiamento(s): Auxílio Pesquisa –
Apoio à Melhoria do Ensino nas Escolas Públicas RJ – FAPERJ
Tem como horizonte a melhoria do ensino público, a ser produzida com base no aprofundamento do diálogo entre universidade e escola, considerando a formação inicial e continuada de professores, pela focalização da leitura de textos não mais restritos à linguagem verbal escrita. Para tanto, assume a incorporação educacional das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) como suporte para a aproximação de textos e leituras no contexto escolar, objetivando sua constituição multimidiática: a possibilidade de veiculação de textos tecidos por múltiplas linguagens, assim como os que circulam socialmente.
Constitui um modo de formação continuada baseada na pesquisa participante, tendo a Análise Crítica de Discurso como instrumental teórico-metodológico para a compreensão dos sentidos que os textos produzem para os diferentes sujeitos. Visa a: (1) contrapor ao “discurso da falta” propostas produzidas a partir da reflexão conjunta sobre as situações concretas de ensino-aprendizagem; e (2) sistematizar um conjunto de condições de produção do trabalho com as TIC, remetendo a apropriações que, instaurando diferenças qualitativas, favoreçam o redimensionamento das práticas de leitura em escola pública do Rio de Janeiro, tendo em vista a formação continuada de professores, bem como na formação inicial em Pedagogia. Pretende formalizar e socializar propostas de formação-trabalho docente, construídas na trajetória que parte da prática e a ela retorna pela via da elaboração teórica, focalizando as condições em que foram produzidas.
AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO NAS POLÍTICAS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES: OS SENTIDOS DA RECONFIGURAÇÃO DE TRABALHO-FORMAÇÃO DOCENTE
Período: 2004 – 2009
Financiamento(s): Bolsa de Produtividade em Pesquisa – CNPq; Bolsas IC e Doutorado; FAPERJ: Mestrado (Nota 10) e Doutorado; e Bolsa Prociência FAPERJ/UERJ
O projeto investiga os modos pelos quais as tecnologias da informação e da comunicação (TIC) têm sido incorporadas ao discurso pedagógico. É desenvolvido em duas frentes: (1) análise dos discursos das políticas educacionais, destacando a racionalidade que tem sustentado a redução das TIC a estratégias de substituição tecnológica, em propostas de Educação a Distância; e (2) abordagem das condições de produção de apropriações educacionais das TIC, nas suas relações com o redimensionamento de ensinar-aprender. Fundada na Análise de Discurso Textualmente Orientada (Fairclough, 2001), esta investigação tem por objetivos: (1) o lugar das TIC como EAD na triangulação que compõem com as diretrizes curriculares e as estratégias de certificação; (2) as relações entre as TIC, a proposta de formação baseada em competências e suas justificativas “construtivistas”; e (3) a articulação de (1) e (2) na reconfiguração de trabalho-formação docente, tendo em vista os sentidos de que ela é investida. Em última análise, o projeto visa a produzir e socializar crítica qualificada às propostas em curso, fornecer subsídios à formulação de propostas contra-hegemônicas e à formação de novos pesquisadores.
ESTADO DO CONHECIMENTO EM EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA
Período: 2004 – 2005
Financiamento: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
A área de educação e tecnologia constitui novo espaço de estudos e pesquisas sobre a utilização das tecnologias de informação e de comunicação (TIC) na educação, sobretudo escolar. As transformações sociais, econômicas e tecnológicas das últimas décadas apontam para a importância desta área em todo o mundo. No Brasil, vários têm sido os projetos orientados para a utilização intensiva das tecnologias, na tentativa de superação de antigos e novos problemas da educação. Sua implementação tem sido objetivada em estudos que crescem exponencialmente, centrados nas relações entre tecnologia e educação; na apropriação educacional das diversas modalidades tecnológicas (com destaque para o uso da televisão, do computador e da Internet); e nas políticas que orientam as referidas práticas. Esta produção, contudo, tende a permanecer circunscrita às instituições de origem, dispersa, deixando de favorecer a visão da sua totalidade, bem como a sua utilização na formulação de políticas na área. O projeto visa ao balanço crítico da produção científica brasileira na área de educação e tecnologia, de 1996 a 2002, compreendendo dissertações, teses e artigos, de modo a mapear tendências e lacunas, focalizando as seguintes dimensões: (1) relações entre tecnologias de informação e comunicação, conhecimento e educação; (2) produção e utilização das tecnologias para/na educação; (3) políticas e propostas de educação (presencial e a distância) mediadas pelas tecnologias; e (4) relações entre as tecnologias e as mídias nos diversos contextos educativos.
TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: O DISCURSO DO MEC
Período: 2002-2004
Financiamento: Edital Universal CNPq
Partindo de duas hipóteses de trabalho: (1) há modos diversos de incorporação das TIC e suas múltiplas implicações político-pedagógicas; e (2) é possível objetivar estes modos pela articulação de aspectos intra e interdiscursivos (Fairclough, 2001), considerando a dimensão simbólica e a material, este projeto, fundado na Análise de Discurso, visou a investigar: (a) o lugar atribuído às TIC, tendo em vista as formulações dos organismos internacionais para a educação; (b) a relação entre as TIC e a EAD, focalizando suas implicações na (re)configuração dos processos educacionais e, especialmente, na formação dos profissionais da educação; (c) a articulação dos discursos das políticas e os da sua justificação; e (d) os sentidos dos modos de incorporação das TIC propostos pelo MEC, objetivando o seu dimensionamento político-pedagógico.
DISCURSO PEDAGÓGICO: A RECONTEXTUALIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO
Período: 2001 – 2004
Financiamento: Bolsa de Produtividade – CNPq
No momento atual, os discursos acerca da educação atribuem um lugar central às tecnologias da informação e da comunicação (TIC), ainda que não haja consenso quanto a este lugar. No limite, as TIC estão postas entre a condição de recursos e a de elemento estruturante de um novo discurso pedagógico (DP), compreendendo este o conjunto de práticas de linguagem desenvolvidas nas situações concretas de ensino, assim como as que visam a atingir o nível de explicação para estas mesmas situações. Na tentativa de superar abordagens reducionistas, centradas na dimensão técnica, e de enfrentar a ausência de clareza acerca do discurso pedagógico ora hegemônico, como princípio recontextualizador das TIC, o presente projeto objetiva os modos pelos quais as TIC são apropriadas (a) no discurso dos organismos internacionais para a área da educação; (b) nas políticas educacionais formuladas em nível nacional; e (c) nas propostas de Educação a Distância, especialmente as de Formação de Professores, predominantes. A metodologia é a Análise de Discurso (AD) dos textos, nos formatos impresso e digital. Os conceitos-chave, além de recontextualização (Bernstein), são: deslocamento, interdiscurso/intradiscurso (Bernstein), condições de produção, e espaço discursivo (Pêcheux). Especialmente em se tratando dos textos veiculados por meio digital, também são focalizados os aspectos da velocidade da produção textual e do seu apagamento/substituição. Os resultados esperados correspondem à sistematização dos efeitos de sentidos da recontextualização como estratégia discursiva e remetem, em última análise, ao dimensionamento das possibilidades e limites das TIC no processo de ensino-aprendizagem, tendo como foco as alternativas para a formação (inicial e continuada) de professores.
ENSINO A DISTÂNCIA: A APROPRIAÇÃO CRÍTICA DAS "NOVAS LINGUAGENS" PELA ESCOLA
Período: 1997 – 2001
O presente projeto visa a analisar os fundamentos do ensino a distância (EAD) proposto pelo MEC, bem como os modos de sua apropriação, pelas escolas, nas relações entre os leitores e os materiais de leitura, em particular. A hipótese de trabalho é a de que o movimento empreendido pelo MEC configura perspectiva neotecnicista, em que o investimento em tecnologia implica desinvestimento no trabalho humano. Esta racionalidade instrumental permite a restrição a questões técnicas, passando ao largo da dimensão político-pedagógica, mais ainda por conta de uma triangulação favorecedora: diretrizes curriculares nacionais, ensino a distância, e instrumentos de avaliação unificada. Do ponto de vista histórico-discursivo, é efetuada a análise dos pressupostos que sustentam as propostas do MEC, com destaque para a aposta na melhoria da qualidade do ensino (uma revolução educacional, reiteradamente anunciada), fundada na suposição de que os novos suportes e materiais de leitura remetem à ruptura com os limites das práticas de linguagem nas salas de aula. Por um lado, as configurações textuais veiculadas pelas novas tecnologias são inegavelmente mais complexas. Por outro, a produção de materiais pedagógicos (programas educativos) e o trabalho com eles pode reproduzir o formato escolar de leitura. Assim, o presente projeto visa a dois movimentos indissociáveis: (1) fornecer subsídios para a formalização de um quadro teórico que dimensione a articulação de linguagens como modo de produção dos sentidos; e (2) desenvolver estratégias que viabilizem a formação de professores capazes de trabalhar criticamente as novas configurações textuais.
OS SENTIDOS PRODUZIDOS NA/PELA ARTICULAÇÃO PALAVRA-IMAGEM: NOVOS DESAFIOS PARA A LEITURA NA ESCOLA
Período: 1995 – 1997
Projeto Integrado LISE – Financiamento CNPq
Neste final de milênio, a proliferação de matérias significantes parece colocar em questão: a centralidade da linguagem verbal escrita e o lugar social da escola. Questionando o descentramento pressuposto, este projeto focaliza relações definidoras da leitura, hoje: (1) mídia-escola; (2) texto-leitura; e (3) contradições de ambas que, por deslize metonímico, podem ser excluídas das produções teóricas. Escola e mídia, socialmente concretizadas em um jogo de igualdade e diferença: ambas fundadas na circularidade do discurso neoliberal, mas a mídia investindo nas diferenças aparentes e a escola na uniformidade superficial. Como as contradições extrapolam os limites do aparente e do superficial, o conceito de texto foi sendo ampliado pelo afastamento da leitura. Um descompasso resultante da desvinculação do próprio processo discursivo, da ausência de análise das condições de produção (históricas e situacionais) dos textos e das suas leituras. A superação destes limites exige a ruptura com os princípios lingüísticos da reflexibilidade, legibilidade e tradutibilidade, que retomam e remetem a linguagens supostamente alternativas, permitindo que a sua multiplicidade seja “lida” na/pela língua. A linguagem verbal tende a sobredeterminar as demais, produzindo efeitos de domesticação do heteróclito. E, ao fazê-lo, administram os gestos de interpretação. Na perspectiva da compreensão, as múltiplas linguagens concretizam diferentes relações entre sujeitos e sentidos. São uma necessidade histórica e exigem matérias simbólicas específicas para a sua consistência significativa. Portanto, este projeto assume que leituras centradas na língua são formatos que obstaculizam a negociação de outros sentidos historicamente possíveis. Seu objetivo é superar práticas restritivas: com textos escolares, nos quais a imagem ainda sugere a “ilustração” (reforço ou ornamento); e com textos da mídia, nos quais os modos de articulação tendem a não ser objetivados.